Vetor: Som agressivo, moderno mas ao mesmo tempo clássico.

12 novembro 2015

Vetor: Som agressivo, moderno mas ao mesmo tempo clássico.

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Quanto tempo uma banda pode levar pra lançar um disco? Quais são os desafios enfrentados? Qual é a sensação de finalmente ter um disco lançado? Essas são perguntas que hoje, Eduardo Custódio, Luiz Meles, Ricardo Lima, Pedro Bueno e Afonso Palmieri, todos integrando a banda Vetor, oriunda do Litoral Paulista, respondem. Mas antes uma resenha desse disco, que para quem buscam um som agressivo, moderno mas ao mesmo tempo clássico, não pode faltar em sua discografia.

A pesar desse álbum ser o debut do Vetor, é apresentado a nós, uma banda madura, com convicções e idéias que são claramente identificadas em suas canções, que têm como temática central a degradação humana, e assuntos como religião, guerras e destuições massivas, tormentos em relacionamentos, geração corrompida, chegando até mesmo na extinção humana.

Sobre o visual do disco, a capa foi feita pela DESIGNATIONS, a cargo do designer Jean Michel, e o encarte pelo Vinni Savastanno e Ricardo Reis. No encarte são apresentadas fotos que traduzem completamente o que as canções querem transmitir. Um misto completo aos que gostam um pouco de antropologia. O conceito foi desenvolvido pelo baixista Luiz Meles.

Não poderia deixar de mencionar um fato importante: o disco foi produzido por Anibal Pontes, Mixado e Masterizado por Fredrik Nordström, sim, ele que é guitarrista da banda Dream Evil e que já produziu discos de In Flames, Arch Enemy, Firewind, HammerFall e outras.

Musicalmente falando, a banda exala técnica. Ricardo Lima e Pedro Bueno tomam conta das guitarras, dando muito peso aos Riffs e solos que, sem sombra de dúvidas ditam o estilo da banda. Na cozinha carniceira da banda, Luiz Meles e Afonso Palmieri ditam a frequência com que a banda opera, e meu amigo, a banda é voraz. A cada nota que Luiz Meles toca no baixo, Afonso acompanha na bateria. Eduardo Custódio, com sua grande capacidade vocal, permeia entre o agudo, rasgado, pesado e até mesmo gutural. Seu alcance vocal é impressionante nesse disco, e sem pensar, possi facilmente compará-lo ao Tim Owens, por sua exuberante versatilidade.

“Religious Falsehood” abre o disco e é uma porrada na cara de todos os que escutam. Riff matador, bumbo duplo contínuo, baixo “treme terra”, e pra dar conta desse instrumental, um vocal pesado, impecável. “If you are looking to be real, And you will find in beyond” é o tipo de refrão pegajoso, com uma construção excelente. Ponto para a banda logo nesse início de disco. Destaco também o excelente prelúdio desse disco. Algo bem urbano, conversas que remetem algo interior, como uma conspiração mundana.

Intro cadenciada, ao melhor estilo Doom, e logo em sequência a pegada Thrash Metal tomando conta. É assim que começa “Strike Command”. O bumbo veloz de Afonso Palmieri, muito bem elaborado. Essa canção possui muitas variações, mais um ponto positivo para a banda.

Fica bem claro que a banda herdou a influência de todos os guitarristas que passaram por ela. Nesta temos a contribuição de Milanin Jr., Luciano Gavioli e Ricardo Lima. Riff acelerado no início, seguida de uma cadência Doom perfeita. O baixo de Luiz Meles é bem evidente nessa canção, e a cada nota que ele dá, Afonso Palmieri acompanha na bateria. Ah sim, essa canção é a “Chaos Before The End”, a qual o disco carrega o nome. Disparada a melhor canção deste álbum. As variações dela são excelentes.

Um início bem Heavy Metal, bem tradicional. Eis que a música acelera um pouco transformando-se naquele poderoso Thrash, e o refrão “You Can Feel Me Right Now”. Excelentes riffs, pegada que rasga o colete banger de qualquer um. Essa música tem aquele solo que você pensa ‘não poderia haver melhor solo que este’. “My Torment” é hit na certa. Seguida de “Limits Whitin Procreation”, que é uma porrada na cara de todos os que escutam. Baixo visceral aos ouvidos de quem ousa colocar no talo o som. Eduardo mandou bem no vocal dessa, com a participação especial do Luiz Carlos Louzada.

Marcelo Ricota é mais um guitarrista que deixou suas raízes na banda. A variação de cadência é incrível. Ao mesmo tempo que soa moderno, soa clássico e soa progressivo. Canção ao melhor estilo Nevermore, e que merece atenção de todos. “In the sound of the wind” é a mais versátil desse disco. Mais um ponto para a banda.

Sabe aquele riff que se você está num bar e uma banda começa a tocar você para a conversa e vira para o palco? Então, é assim que classifico essa música. “Vetor” tem um começo incrível. Ricardo Lima e Pedro Bueno fizeram um trabalho excelente nas guitarras dessa faixa. Intro, riffs, solos, tudo bem construído. Ah, e o que falar do coro “Vetor – You could be the real host or transmiter. Vetor […], Vetor […]”, faz você se sentir num show.

O disco começou com uma porrada na orelha, e se tratando de Vetor não poderia terminar diferente. “Endangered Species” muito bem elaborada. Os backing vocals guturais, casando com o vocal rasgado do Eduardo. Luiz Meles fazendo o chão tremer. O interlúdio é incrível, faz o peão bangear demais. As harmonias, o clima que o Pedro e o Ricardo desenvolveram está, sem sombra de dúvidas, excepcional. Me faltam palavras para descrever essa música. Não posso deixar de mencionar o fato deles retratarem a extinção da espécie nessa canção, que tem um fim bem sombrio.

Consideravelmente esse disco tem tudo pra dar certo, para que a banda deslanche de vez e alcance o sucesso definitivo.

Harmonias, solos, riffs, duelos de guitarras, distorções na medida certa, são os aspectos que Pedro Bueno e Ricardo Lima trabalharam muito bem. Luiz Meles juntamente com Afonso Palmieri deenvolveu um trabalho excepcional no ataque de peso que a banda externa. Eduardo Custódio merece total respeito pelo excepcional trabalho que desenvolveu no vocal da banda.

Aos que buscam a linha de Slayer, Nevermore, Grave Digger, Judas Priest (com Tim Owens); riffs pesados, cadenciados e/ou velozes, solos viscerais, bateria aniquiladora, baixo atacando o tempo inteiro com peso absoluto e um vocal capaz de cobrir isso, com total peso, recomendo adquirir esse disco.

Anos de trabalho, finalmente materializado para uma posteridade. Merece total respeito e atenção de todos, o que só endorsa Eduardo Custódio ao afirmar que ele define esse disco como “uma homenagem justa e merecida a todos os que passaram pela banda e uma homenagem aos anos de trabalho em si!”

Em uma conversa, algumas perguntas foram feitas à banda referentes ao disco.

Ícaro: Quanto tempo uma banda pode levar pra lançar um disco?
– Eduardo Junior: “Certa vez vi um artista famoso dizendo “o trabalho em um CD nunca acaba, a gente só desiste de trabalhar nele quando acha que esta em um nível aceitável”, acho que é bem por aí, gravar um CD é complicado e chegar no resultado esperado é uma verdadeira batalha.”
– Ricardo Lima: “Não deveria demorar muito, mas são vários fatores que levam uma possível demora; sair um integrante já atrasa um bom tempo!”
– Pedro Bueno: “Isso é muito amplo, porque não depende apenas da banda e sim de todos envolvidos, acredito que temos que saber balancear as coisas, pois o interesse de toda banda que está nesse processo é que termine logo, mas a pressa pode sim atrapalhar no resultado final.”
– Luiz Meles: “Não acredito que exista um tempo exato, pode ser dois, três meses ou um ano o que importa é se você vai estar satisfeito com o resultado final e no nosso caso a satisfação foi plena.”
– Afonso Palmieri: “Isso é bem interessante, a questão varia de banda para banda.”

Ícaro: Quais são os desafios enfrentados?
– Eduardo Junior: “Os desafios são muitos, mas o maior deles no Brasil é viabilizar todos os pormenores que cercam um lançamento musical ainda mais de Metal como é o nosso caso, é preciso muito foco e força de vontade pois senão, fica-se pelo caminho.”
– Ricardo Lima: “Desafios são vários, posso citar dois que vão desde financeiros até de agendas (músicos e produtor)!”
– Pedro Bueno: !Acredito que toda banda independente sofra com a falta da grana, então tudo que possa somar e ajudar é muito válido.!
– Luiz Meles: “No Brasil eles são muitos, falar aqui seria até repetitivo, mas acho que os fatores principais ainda é a parte financeira e a falta de apoio as bandas.”
– Afonso Palmieri: “Custos, composições, é difícil dizer, mas por mim, gravaria um por mês se pudesse rs”

Ícaro: Sensação de ter o disco pronto?
– Eduardo Junior: “Na primeira vez que ouvi os sons, me emocionei, sozinho em casa ouvindo e filmes passando na cabeça com tudo que enfrentamos, as lembranças da criação das musicas, cads riff, cada estrofe, enfim. Não tenho palavras para descrever esse sentimento.”
– Ricardo Lima: “No nosso caso com a mix final, foi de êxtase total. Imagina um gringo (Fredrik Nordström) daquela importância dar atenção a uma banda underground do Brasil? O cara na Suécia e você na America do Sul, fudida e mal paga! Vitoria cara.”
– Pedro Bueno: “Satisfação, acho que essa é a palavra !!! Porque com todos os problemas sempre queremos fazer o melhor.”
– Luiz Meles: “Posso dizer que sou um EX-ATLAS (Risos), sensação de tirar o peso do mundo das costas, foi uma longa jornada passamos muitas coisas, boas e ruins mas conseguimos e esperamos que vocês curtam o álbum, nos vemos na estrada!”
– Afonso Palmieri: “A sensação é a melhor possível, sensação de dever cumprido.”

Ícaro: Como você define esse Debut?
– Eduardo Junior: “Defino como a realização mais importante da minha vida e que imortaliza uma banda que sempre buscou isso. Devo isso a meus companheiros de banda e a todos que já passaram por ela. Um CD é um registro eterno e esperamos que quem ouça sinta essa energia.”
– Ricardo Lima: “Defino, modéstia a parte, como a melhor quebra de cabaço da história de uma banda da baixada Santista!”
– Pedro Bueno: “Bom, eu fui o ultimo integrante à fazer parte dessa formação atual, e sei que os caras já estavam um tempo nisso, mas o que posso falar é que mesmo com todas as dificuldades e barreiras o resultado final ficou Fodástico. Estamos contentes e otimistas que com esse trabalho possa possamos fazer shows e divulgar o Debut. Espero que todos curtam!”
– Luiz Meles: “Acho que o Ricardo definiu bem, foi a maior quebra de cabaço de uma banda da baixada (Risos), mas também o defino como uma homenagem justa a todos que passaram pela banda e colaboraram para que hoje, tivéssemos o álbum que temos em mãos.”
– Afonso Palmieri: “É um trabalho ótimo, com uma qualidade musical acima da média. Sinto orgulho de tê-lo gravado.”

Ícaro: Parabéns Vetor Metal por esse baita disco, e estaremos esperando por uma turnê, e assim brindarmos esse trabalho de forma espetacular.

Metal is the Law!

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Por: Ícaro Batista Cardoso.

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Religious Falsehood (Intro) // Chaos Before The End
  1. Religious Falsehood (Intro) // Chaos Before The End
  2. Strike Command // Chaos Before The End
  3. Chaos Before The End // Chaos Before The End
  4. My Torment // Chaos Before The End
  5. New Limits Within Procreation // Chaos Before The End
  6. In The Sound Of The Wind // Chaos Before The End
  7. Vetor // Chaos Before The End
  8. Endangered Species // Chaos Before The End